Por: Danilo Martins (@acostaruma)
É comum que engenheiros, compradores e projetistas se deparem com um mesmo material identificado por diferentes nomes, normas ou códigos técnicos. Um aço pode ser especificado como SAE/AISI em um projeto norte-americano, referenciado como DIN/EN em desenhos europeus, identificado por W.Nr. em documentos técnicos ou, ainda, solicitado por sua nomenclatura comercial brasileira, amplamente utilizada no mercado nacional.
Essa multiplicidade de normas e designações, embora faça parte do dia a dia da indústria metalúrgica mundial, gera uma dúvida recorrente em compradores: estamos falando do mesmo aço?
Mais do que uma questão conceitual, essa dúvida impacta diretamente custos, desempenho, vida útil de componentes e segurança operacional.
É justamente para resolver esse desafio que a Aços Tarumã estruturou este guia completo de equivalência de aços, reunindo em um único artigo as principais normas internacionais, suas correlações e aplicações práticas — sempre com foco em seu portfólio real de produtos e na tomada de decisão técnica correta.
Por que existem diferentes normas para o mesmo aço?
A existência de múltiplas normas para materiais metálicos está diretamente ligada à história industrial de cada região. Estados Unidos, Europa e Brasil desenvolveram seus próprios sistemas de classificação, considerando:
- Disponibilidade de matérias-primas
- Processos siderúrgicos locais
- Demandas específicas da indústria regional
- Evolução tecnológica ao longo do tempo
Com o avanço do comércio internacional e a integração das cadeias produtivas, essas normas passaram a coexistir. Hoje, um mesmo aço pode apresentar composição química idênticas ou muito próximas e propriedades mecânicas equivalentes, mesmo sendo identificado por códigos distintos.
Por isso, compreender as equivalências entre normas não é apenas um diferencial técnico — é uma necessidade estratégica para quem atua na indústria.
Norma SAE/AISI: o ponto de partida mais comum
A norma SAE/AISI, de origem norte-americana, é uma das mais utilizadas no Brasil, especialmente em projetos mecânicos, automotivos e industriais.
Sua lógica de classificação baseia-se principalmente em:
- Teor de carbono
- Presença e tipo de elementos de liga
- Aplicação do material
Exemplos comuns do portfólio da Aços Tarumã incluem:
- SAE 1020, 1045, 1060 (aços carbono)
- SAE 4140, 4340, 8620, 6150, 52100 (aços liga e para construção mecânica)
- AISI O1, D2, D3, D6, H13, P20, M2 (aços ferramenta)
A grande vantagem da norma SAE/AISI é sua simplicidade e ampla aceitação, tornando-a o principal ponto de entrada em buscas técnicas e comerciais.
Nomenclatura comercial brasileira: tradição e prática de mercado
No Brasil, especialmente em ambientes industriais mais tradicionais, ainda é muito comum o uso de nomenclaturas comerciais, como as desenvolvidas historicamente pela Villares Metals.
Esses nomes não substituem as normas técnicas, mas funcionam como uma linguagem prática de mercado, facilitando a comunicação entre compradores, fornecedores e áreas produtivas. Por exemplo:
- SAE 1020 → VT-20
- SAE 1045 → VT-45
- SAE 1060 → VT-60
- SAE 4140 → VL-40
- SAE 52100 → VC-52
- AISI D2 → VD2
- AISI D6 → VC131 / RCC
- AISI H13 → VH13
- AISI P20 → VP20
Conhecer essas nomenclaturas é essencial para evitar erros de especificação e garantir assertividade na cotação.
DIN/EN: a padronização europeia
As normas DIN (alemã) e EN (europeia) surgiram da necessidade de padronização técnica em um continente com forte integração industrial.
Diferentemente da SAE/AISI, a norma DIN/EN costuma apresentar:
- Designações baseadas na composição química
- Ênfase em aplicações e propriedades mecânicas
- Atualizações constantes para unificação entre países
Alguns exemplos presentes no portfólio da Aços Tarumã:
- SAE 4140 → 42CrMo4
- SAE 8620 → 21NiCrMo2
- SAE 6150 → 50CrV4
- SAE 52100 → 100Cr5
W.Nr. (Werkstoffnummer): precisão e rastreabilidade
O W.Nr., ou número de material, é um sistema alemão extremamente preciso, muito utilizado em projetos que exigem rastreabilidade, controle dimensional e padronização rigorosa.
Exemplos:
- 1020 → 1.1151
- 1045 → 1.1191
- 1060 → 1.1221
- 4140 → 1.7225
- 8620 → 1.6523
- 6150 → 1.8159
- 52100 → 1.3505
- O1 → 1.2510
- D2 → 1.2379
- D3 → 1.2080
- D6 → 1.2436
- H13 → 1.2344
O uso do W.Nr. reduz ambiguidades e é altamente recomendado em ambientes industriais críticos.
Como ler e usar corretamente a tabela de equivalência de aços
A tabela de equivalência apresentada neste artigo deve ser interpretada como um mapa técnico-comercial, onde:
- A coluna SAE/AISI indica a referência mais comum em projetos e buscas
- A coluna comercial brasileira conecta o material à prática de mercado
- A coluna DIN/EN permite integração com normas europeias
- A coluna W.Nr. assegura precisão técnica e rastreabilidade
Importante destacar: equivalência não significa substituição automática. Sempre é necessário avaliar:
- Tratamento térmico
- Condição de fornecimento
- Aplicação final
- Requisitos de desempenho
Principais grupos de materiais e suas aplicações
Aços carbono (1020, 1045, 1060)
Utilizados amplamente em:
- Eixos
- Pinos
- Componentes estruturais
- Peças usinadas em geral
Quanto maior o teor de carbono, maior a resistência mecânica e a dureza potencial após tratamento térmico.
Aços para construção mecânica (4140, 4340, 8620, 6150, 52100)
Esses aços oferecem:
- Excelente equilíbrio entre resistência e tenacidade
- Ótima resposta a tratamentos térmicos
- Alta confiabilidade em componentes críticos
Aplicações incluem:
- Eixos automotivos
- Engrenagens
- Árvores de transmissão
- Rolamentos (52100)
Aços ferramenta (O1, D2, D3, D6, S1, H13, P20, M2, 420)
Projetados para:
- Alta resistência ao desgaste
- Estabilidade dimensional
- Trabalho a frio ou a quente
São fundamentais em:
- Matrizes
- Estampos
- Moldes
- Ferramentas de corte e conformação
Guia prático de equivalência de aços: normas, nomenclaturas e aplicações
Para facilitar a consulta técnica e apoiar decisões mais assertivas no dia a dia industrial, reunimos abaixo uma tabela completa de equivalência entre as principais normas internacionais de aços, seus nomes comerciais utilizados no mercado brasileiro e suas designações europeias.
Este guia foi estruturado com base no portfólio efetivamente comercializado pela Aços Tarumã, refletindo materiais amplamente utilizados em aplicações de construção mecânica, ferramentas, moldes, matrizes e componentes de alta performance. Trata-se de um material de apoio técnico e comercial, pensado para engenheiros, compradores e profissionais que precisam correlacionar especificações entre diferentes normas com segurança.

FAQ – Dúvidas frequentes sobre equivalência de aços
1. Um aço SAE é sempre idêntico ao seu equivalente DIN?
Não. A composição é similar, mas tolerâncias e normas de fornecimento podem variar.
2. Posso substituir um aço apenas com base na tabela?
A tabela é um guia. A substituição exige análise técnica completa.
3. A nomenclatura comercial garante equivalência total?
Não. Ela indica referência de mercado, mas não substitui normas técnicas.
4. O W.Nr. é obrigatório?
Não, mas é altamente recomendado para projetos críticos.
5. Tratamentos térmicos mudam entre normas?
Podem mudar, dependendo da aplicação e da norma adotada.
6. Aços ferramenta têm equivalência direta?
Em geral, sim, mas exigem atenção redobrada à aplicação.
Conclusão
Entender as equivalências entre SAE/AISI, DIN/EN, W.Nr. e nomenclaturas comerciais brasileiras é essencial para garantir segurança técnica, eficiência produtiva e assertividade comercial.
Este guia foi desenvolvido para apoiar engenheiros, compradores e projetistas na tomada de decisão correta, reduzindo riscos e otimizando resultados. Ao alinhar conhecimento técnico profundo com um portfólio completo de aços especiais, a Aços Tarumã se posiciona como uma verdadeira parceira estratégica da indústria, oferecendo não apenas material, mas também orientação técnica confiável.
Para esclarecer dúvidas, confirmar equivalências ou solicitar uma cotação, conte com o time especializado da Aços Tarumã.
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Esperamos que este artigo tenha proporcionado uma visão clara e detalhada, ajudando você a tomar decisões informadas para suas necessidades industriais. Para mais informações e uma ampla gama de produtos, visite nosso site e entre em contato com nossos especialistas ou, se preferir, envie um e-mail para: acostaruma@acostaruma.com.br ou nos consultar pelo telefone ou WhatsApp: (11) 95079-9020.
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